Azeite de oliva extravirgem adulterado não faz bem à saúde.

Azeite de oliva extravirgem é um dos alimentos mais  prescrito por médicos e nutricionistas do mundo inteiro. Foi facilmente  popularizado por causa de suas imensas propriedades nutricionais e medicinais. Mas o azeite que deveria  vir para fazer o bem, está fazendo exatamente o contrário.

Na edição da revista Veja de dezembro de 2016, a notícia de que várias marcas de azeites eram fraudulentas surpreendeu mais uma vez o consumidor. Em especial o consumidor consciente. Aquele que paga mais caro porque sabe que investir na saúde é melhor do que comprar remédios.

Em 2017, o  Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) realizou inspeção em 140 marcas onde 45 foram encontradas com irregularidades. Dos 322.39 litros de azeite testados em 12 estados brasileiros,  207.579 foram encontrados com problemas relacionados a baixa qualidade do produto. O azeite tinha cheiro forte e alto grau de acidez extraído de azeitonas estragadas ou fermentadas.

Por sorte, ainda temos algumas instituições que estão cumprindo seu papel de supervisionar e descobrir onde estão as fraudes. No caso a Proteste .

8 Marcas de azeite foram reprovadas

Em suma, os produtores diziam que a marca era Extravirgem, mas não era. O que estava escrito no rótulo não correspondia ao conteúdo da embalagem.

A análise em laboratório comprovou adulteração do produto, com adição de outros óleos vegetais, o que não é permitido por lei.

Azeite de oliva extravirgem adulterado

Ou seja, os azeites classificados como Extravirgem não tinham apenas a gordura proveniente da azeitona mas também a adição de outras substâncias que colocavam  em risco uma das propriedades primordiais do azeite: favorecer a saúde.

Dos vinte produtos testados apenas quatro foram eliminados e outros quatro não foram  indicados para compra.

Resultados testes realizados em 2013 pela Proteste:

Em 4 marcas analisadas Figueira da Foz, Tradição, Quinta d`Aldeia (reincidentes) e Pramesa o azeite estava adulterado.

Outras 4 marcas – Qualitá, Beirão, Carrefour Discount e Filippo Berio – se diziam extravirgem na embalagem, mas a análise sensorial apontou que eles eram apenas virgens.

Resultados dos testes realizados em 2017 pelo Mapa:

As marcas que apresentaram irregularidades foram: Astorga, Carrefour, Alemirim, Conde deTorres.

As marcas que passaram na fiscalização foram: Andorinha, Aro, Apolo, Borges, Belo Porto, Carrefour Discount.

Em suma: você  ainda paga mais caro e compra gato por lebre.

Resultados positivos para  algumas marcas de azeite

No entanto na análise de 2013,  outras 5 marcas que haviam sido avaliadas como virgens se apresentaram neste último teste com  um azeite de fato extravirgem: La Española, Carbonell, Serrata, Gallo e Borges.

O produto mais bem avaliado nesse  novo teste de 2016, segundo a Proteste, foi o Cocinero, indicado como autêntico azeite extravirgem, que apresentou excelente qualidade, apesar de sua embalagem de plástico. O recomendado é que as garrafas sejam  de vidro escuro para  conservar melhor o alimento.

Maior parte dos azeites de oliva está adulterado

Apesar de todo empenho dos orgãos de supervisão e inspeção de produtos algumas pesquisas realizadas por insituições americanas constataram que  entre 60 e 90% dos óleos de oliva vendidos nas lojas e restaurantes são adulterados com óleos vegetais ricos em ômega 6, como óleo de soja, milho, linhaça, girassol ou mesmo óleo de oliva.

Ou seja, você acredita que está comendo um azeite puro, extravirgem que vai reduzir o colesterol ruim e somar ao colesterol bom e na realidade está fazendo exatamente o contrário.

Há uma grande chance de você estar usando um óleo de baixa qualidade, pois há a possibilidade de você nunca ter experimentado o verdadeiro, o puro óleo de oliva de qualidade.

Há a pior das chances ainda que é a de você estar prejudicando sua saúde e sobrecarregando seu sistema cardio vascular, o que é grave – gravíssimo.

Mercado do azeite de oliva no Brasil

Indiferente às informações sobre fraudes,  o mercado de azeite no Brasil cresce.  Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Luis Rangel,

 Os estados  brasileiros onde foram registradas mais irregularidades foram São Paulo, Paraná, Santa Catarina e o Distrito Federal, onde se concentram o maior número de empresas que envazam o produto. Os envazadores, que importam a granel, principalmente da Argentina, foram os que apresentaram maiores irregularidades.

Este produto é  parte da gastronomia e culinária brasileira.

Reconhecido como um potencializador da saúde, seu consumo mundial aumentou 10 vezes mais nos últimos 35 anos.

Só que com o aumento da demanda, a oferta passou a ser sem qualidade.

Talvez isso explique o fato de tantas pessoas não entenderem porque não baixam o colesterol, engordam, estão mais vulneráreis a dores no peito e outras doenças do sistema cardio vascular.

Azeite de oliva  extravirgem comercializado no Brasil

O Brasil ocupa  o 11º lugar  em consumo de azeite e é o terceiro maior importador de azeite de olive no mundo, segundo dados do Comitê Oleícula Internacional (COI). Em 2016, importamos 50 milhões de toneladas.

Os azeites mais consumidos pelos brasileiros vêm da Europa, em especial de Portugal, da Espanha (o maior produtor mundial) e Itália (entendido como o mais famoso pela alta qualidade dos seus extravirgens).

É preciso haver um certo cuidado. Nem tudo que vem de fora é bom, ou tem qualidade inquestionável. É preciso começar a questionar algumas informações dadas como verdades absolutas nos rótulos.

Azeite de oliva extravirgem importado é 100% natural?

Só porque o óleo veio da Itália que é incontestavelmente de alta qualidade?

_ Está provado que não.

O fato é que o melhor azeite italiano não é exportado. Fica por lá mesmo e a produção da oliva mal atende ao consumo doméstico local. O resultado é que da Itália sai  pouco azeite de qualidade tipo exportação.

Na realidade  a Itália, compra azeite da Espanha, Marrocos, Tunísia e Síria, que ja são misturados, fazendo apenas o trabalho de  envasar e exportar.

Esta aí o começo de tudo. O produto que vem da Itália pode não ter sido produzido na Itália. As olivas podem ter sido plantadas e colhidas em outros países, podem ter sido prensadas em outros locais e até mesmo misturadas a outros óleos.

Mas a Itália põe sua marca como puro oliva 100% natural virgem ou extravirgem e vende para o Brasil.

_ Não é incrível!?

No rótulo que diz que o azeite foi envasado(colocado em vasos, engarrafados, embalados) na Itália – dá a enteder que o produto é  tecnicamente verdadeiro e nos faz acreditar  que o azeite seja puro.

A logística para trazer o azeite de oliva para o Brasil

Para deixar tudo bem pior há a infeliz, porém real, possibilidade de todas as propriedades benéficas do azeite – caso seja puro –  terem se perdido durante a logística que o produto faz até chegar nas prateleiras dos supermercados.

O óleo de oliva geralmente é transportado por navio, o que leva bastante tempo. Depois é distribuído para lojas, aonde podem ficar meses a fio nas prateleiras.

Tudo isso nos leva a um estado de alerta e à necessidade de questionar e refletir melhor sobre produtos importados que acreditamos, pagamos caros e consumimos.

_ Lesam nossa fé, nosso bolso e nossa saúde.

O melhor  azeite de oliva extravirgem brasileiro

No Brasil estão surgindo os azeites Novellos. Esse  termo é usado pelos italianos para definir azeites frescos, sem decantação ou filtragem.

Os novellos conservam os resíduos da massa da azeitona.  Esse azeite deve ser consumido em 4 meses. Porém o frescor, intensidade e sabor das azeitonas ainda verdes tornam o produto super valorizado e excelente para o consumo. Independente se é filtrado ou não.

Após cerca de 2 meses, esses azeites estarão decantados, mas ainda em excelente condição de uso pois o curto espaço entre produção e disposição nas prateleiras para comercialização favorece a qualidade do azeite.

O azeite Novello brasileiro,  estará disponível bem mais fresco que o produto importado, pois a safra Europeia é só no final do ano e ainda enfrenta toda uma logística para chegar ao Brasil.

Perguntas básicas para reflexão do consumidor de azeite:

_Quem nos garante que esses azeites reprovados sairam das prateleiras dos supermercados e  foram realmente recolhidos?

_ Como identificaremos o produto fraudado?

_ E aí, como fazer para saber se o produto não é 100% puro?

_ Como você vai ter certeza que há algo errado com ele?

Bom a primeira e segunda perguntas são  difíceis de responder. Um país imenso como o Brasil não tem como supervisionar 100% o cumprimento de uma determinação judicial de retirada de um produto se não houver a colaboração do consumidor.

Por isso estamos dando a esse post uma super importância.

O azeite é fundamental para nossa saúde. Ele integra a cadeia dos óleos graxos essenciais para o organismo humano funcionar.

Nesse sentido, ficar atento para não consumirmos produtos fraudulentos é vital.

Existem três tipos de azeite:

azeitonas e garrafas com azeite de oliva
Azeite de oliva extravirgem

Antes de qualquer coisa, o consumidor brasileiro precisa conhecer as diferenças entre os tipos de azeite. Não dá mais para ficar no achismo.

Segundo a especialista e consultora em azeite Dra Patrícia Galasini – degustadora oficial de azeite existem diferenças que identificam a qualidade do azeite. São elas:

  1. Extravirgem;
  2. Virgem;
  3. Comum.

    1. Azeite Extravirgem

  • Tem sabor e cheiro intensos.
  • A azeitona é sã, sem defeitos.
  • A acidez é igual ou inferior a 0,8%.

 É utilizado em finalizações de pratos que não vão ao fogo: Saladas, pães, pizzas, queijos e outros petiscos.

Possui qualidade superior aos demais.

2 .  Azeite Virgem

  • Sabor e cheiro agradáveis.
  • As azeitonas são sãs.
  • A acidez é igual ou abaixo de 2%.

É  recomendado em processos de cozimento de  pratos que vão ao fogo.

É de  boa qualidade. Mas pode apresentar defeitos provocados pela degradação do fruto antes da extração.

Possui qualidade intermediária.

3. Azeite Comum

  • Aromático.
  • Frutado.
  • Acidez a 2% .

Pode ser empregado em frituras.

É um composto de azeite refinado com azeite virgem.

Como identificar o bom  azeite

O bom azeite deve ser minimamente processado, contendo alta concentração de antioxidantes e fenólicos, o que evita a oxidação por mais tempo. Isso é muito importante, pois o grande risco destes produtos é exatamente a oxidação que, se ocorrer, acaba fazendo mais mal do que bem.

Como garantir ao máximo a qualidade do azeite:

  1. Deve ser consumido em até seis semanas porque oxida com rapidez – tal como o suco de laranja.
  2. Conservar em lugar fresco e escuro para evitar que fique rançoso.
  3. Prefirir as embalagens menores para garantir ao máximo a qualidade.
  4. Fechar bem a embalagem. O contato do óleo com o ar acelera a oxidação das gorduras insaturadas.

O azeite de boa qualidade

Quando o próprio produtor envasa o azeite (embala, coloca em vasos, engarrafa), os riscos de adulteração é menor.

Normalmente o intervalo é menor entre colheita e processamento.

As olivas começam a se deteriorar assim que são colhidas. Por isso os produtos de alta qualidade são prensados após algumas horas de serem colhidos.

Já os produtos de baixa qualidade podem demorar até 10h entre colheita e prensa. O ideal é que se prense com o menor tempo possível.

A data da colheita deve ser com menos de 6 meses de idade.

Infelizmente, poucos óleos de oliva fornessem isso, na verdade.

Como usar o azeite de oliva.

Nunca colocar para cozinhar. Há risco de bioprodutos tóxicos colocarem sua saúde em risco.

Pode ser usado em pratos quentes, mas só como tempero final.

Consuma o azeite de oliva em temperatura ambiente. Sobre saladas e pratos frios.

Atenção: cuidado com o azeite

Nunca aquecer o azeite. O aquecimento coloca a estrutura química e aumenta a alta concentração de gorduras insaturadas. Com isso o azeite torna-se  susceptível ao dano oxidativo. Esse fato pode estimular dores, artrites, câncer, doença cardíaca, além de acelerar o envelhecimento.

Para cozinhar, prefira sempre a manteiga o  óleo de côco.

Entendendo os rótulos do azeite

Rótulo com essa informação “Prensado a frio” ou “Primeira prensa” é pura estratégia  de Marketing.

É preocupante!  Não é sinal de qualidade do azeite e sim de jogada de venda para impressionar o consumidor. Afinal não entendemos nada nem de prensa e nem de azeite.

O termo “prensado a frio” refere-se ao tempo quando o óleo era feito usando-se prensa hidráulica, e havia uma distinção entre prensado a frio (1ª prensa) e prensado com alta temperatura (2ª prensa). Mas não registro de que isso é importante para qualificá-lo.

Como reconhecer o melhor azeite

  1. Observe a cor.

Verde quase luminescente indica um produto extra virgem de alta qualidade. Porém, bons óleos têm tonalidades que vão do verde luminescente ao ouro ou palha clara. Quando o azeite começa a ficar pálido demais, é hora de descartá-lo.

  1. Observe a embalagem.

Deve ser em garrafas escuras, de preferencia de vidro e não de plástico,  ou até aço inoxidável que protegem mais contra a luz.

  1. Leia o Rótulo.

Se estiver escrito óleo  “virgem extra” poderemos confiar caso esteja elencados nas marcas que passaram no teste do Proteste.

Se estiver escrito óleo “puro”, ou “leve”, certamente sofreram processos químicos.

  1. Conserve em local fresco e escuro para guardar as propridades.

Marcas de azeite de oliva extravirgem importados.

Um grupo de degustação formado por especialistas avaliaram algumas marcas de azeite tipo exportação baseados no aroma, sabor, picancia e amargor.

O resultado foi divulgado no caderno Paladar, do Jornal O Estado de São Paulo, onde foram  classificados  os melhores azeites.

Apesar de não haver nenhuma marca brasileira consideramos importante conhecer as marcas importadas  que foram ranqueadas.

Marcas de azeite de oliva extravirgem aprovadas :

1 -Deleyda – Chile

2 – Herdade do Esporão – Portugual

3- De Cecco – Itália

4 -Olitalia – Itália

5- Ybarra – Espanha

6- Gallo – Portugual

7- Carbonell – Espanha

8- Borges – Espanha

9- Portucale – Portugual

10 – Andorinha – Portugual

Feira Internacional de Azeite de oliva extravirgem em São Paulo

Nos dias 11 e 12 de julho de 2017 acontecerá no Parque do Anbembi de São Paulo,  a 8ª ExpoAzeite. O evento é internacional.

Vários produtores de oliva e fabricantes do azeite europeus participarão do Olive Oil Fair e Olive  Fair Competition.

Ao que tudo indica será uma maratona para demostração da  qualidade de azeites que serão comercializados.

O organizadores do evento são claros ao afirmar que:

O Azeite é a gordura do bem, é sabor e saúde até a última gota.

Agora, já é possível fazer boas escolhas na hora da compra.”

Dia 15 de março é o dia  do consumidor  no Brasil

De qualquer forma, próximo a comemoração do  Dia do Consumidor em 15 de março, trazemos informações  aos leitores mais conscientes e que não medem esforços para ver avançar seus dias sobre a terra sem doenças. Procurem os orgãos competentes abaixo relacionados caso sintam algum sintona de adulteração.

Se você não falar, nada vai mudar.

 

Finalizamos esse post  informando importantes orgãos que podem auxiliar na identificação do azeite. São eles:

OLIVA
Associação Brasileira de Produtores, Importadores e Comerciantes de Azeite de Oliveira (www.oliva.org.br)
Programa de Controle da Pureza dos Azeites, visando à preservação e autenticidade dos produtos.
PROTESTE
http://www.proteste.org.br/azeite

 

Vamos ficando por aqui.

Esperamos ter contribuido com informações que vão ajudá-lo na escolha do azeite de oliva  que faz bem à sua saúde.

Para nós da AmazôniaNutri quem se ama se cuida, quem se cuida se informa.

 

Fontes:

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA
Jornal O Estado de São Paulo. Caderno Paladar. 17 a 23/11/16 Nº 583
Jornal O Estado de São Paulo. Caderno Paladar. 09 a 15/02/17 Nº 595
Dr. Rondó
Revista  Veja.
Revista Exame.
8ª ExpoAzeite.

 

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